Resposta rápida: porque uma opinião raramente é só uma informação. Ela carrega a nossa história e os nossos valores (Nietzsche), os vínculos e os grupos a que pertencemos (Freud) e a necessidade de sermos reconhecidos pelo outro (Sartre). Por isso, mesmo em discussões políticas e em tempos de polarização, apresentar mais dados nem sempre basta.

Sim, estou falando de política. Este vídeo, que publiquei hoje no Instagram, busca explicar um aspecto do momento que estamos vivendo: por que, às vezes, a informação não é suficiente para mudar uma opinião, em um cenário de polarização e de negacionismo.

Neste texto, trago três pensadores para ajudar a entender isso. E o último traz uma reflexão importante sobre até onde podemos ir tentando convencer alguém.

Capa do vídeo da psicóloga Mayara Medeiros sobre negacionismo: Por que os fatos não mudam opiniões?, com imagens de Freud, Nietzsche e Sartre
Assista ao vídeo Por que os fatos não mudam opiniões? · @psicologa.mayaramedeiros Abrir no Instagram →

Nietzsche: não enxergamos o mundo de forma neutra

A gente não enxerga o mundo de forma totalmente neutra. Interpretamos o que acontece a partir da nossa história, dos nossos valores e das nossas experiências.

Mas isso não significa que os fatos sejam apenas uma questão de opinião. Uma coisa é interpretar a realidade. Outra é negar evidências porque elas contrariam aquilo em que acreditamos.

Mas por que é tão difícil abrir mão de algumas crenças? Freud ajuda a entender.

Freud: mudar de opinião pode ameaçar o pertencimento

Freud estudou como nossos vínculos e a identificação com grupos influenciam a maneira como pensamos.

Pensa comigo: e se mudar de opinião significasse também se afastar de pessoas importantes para você ou questionar um grupo do qual você faz parte? Nesse caso, não estamos defendendo apenas uma ideia. Estamos defendendo também nosso sentimento de pertencimento.

Por isso, em algumas situações, apresentar mais informações não resolve. Questionar uma crença pode significar questionar uma parte da nossa própria identidade.

Na psicologia, isso se relaciona a fenômenos como o viés de confirmação, a tendência de valorizar o que confirma o que já pensamos, e a dissonância cognitiva, o desconforto de encarar uma informação que contraria uma crença importante para nós.

Sartre: até onde vale tentar convencer alguém?

Sartre escreveu uma frase famosa: "O inferno são os outros". A ideia é mais complexa, mas nos ajuda a refletir sobre como o olhar e o julgamento dos outros podem nos aprisionar.

Nas discussões, às vezes insistimos em convencer alguém porque precisamos que essa pessoa reconheça que estamos certos. Mas não temos controle sobre o que o outro pensa ou está disposto a rever.

Uma pergunta para levar com você

E eu me incluo nisso. Todos nós temos crenças que podem ser difíceis de questionar. Entender por que alguém se apega a uma ideia não significa concordar com ela, nem ignorar os danos que ela pode causar.

Estou defendendo essa ideia porque examinei as evidências ou porque é difícil lidar com a possibilidade de estar errado?

Rever nossas crenças exige disposição para questionar até aquilo que nos traz segurança.

Isso vale para as discussões políticas, mas também para as conversas em família, no trabalho e nas redes sociais: sempre que uma crença está ligada à nossa identidade e aos nossos vínculos, mais dados tendem a não ser suficientes. O objetivo é entender o mecanismo psicológico por trás do desacordo.

O autoconhecimento envolve reconhecer as crenças que nos sustentam, questionar nossas certezas e perceber que podemos rever nossas posições sem perder quem somos. Afinal, compreender não é concordar com tudo, e mudar de ideia pode ser um ato de coragem.

E você, já mudou de opinião sobre algo importante?

Quer conversar sobre isso?

Atendo adultos a partir de 18 anos, 100% online, com abordagem Fenomenológico-Existencial. Se este tema tocou em algo para você, será um prazer conversar.

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